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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

I´ll take you to the moon

comment: Em um domingo chuvoso certas coisas acontecem quando não há muito o que se fazer. E essa música é um exemplo disso! XD (acompanhada de cifra^~) se houver algum erro é porque sou apenas um troglodita!

I´ll take you to the moon

(F A F A)

I'll take you to the moon

I'll take you to me (2x)

To colorize this white world

To colonize our own steps

Show me the right words

To write our epitaphs

Let the dreams come true

We don’t need even cash

Joy seems like glue

Throw the rest in the trash

I'll take you to the moon

I'll take you to me (2x)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Descompasso

Tem horas que me desencontro

Acho a vida um tanto surreal

Tudo me parece fugaz

E me desencanto uma eternidade

Frases desconexas

Suplantação do que se acha autêntico

Pulo uma cena, uma cerca

Como se pudesse mandar no tempo

Transporto-me pra outra localidade...

Realidade... Verdade...

Ponho o mundo no bolso

Junto com as sete chaves que me guardo

Fecho o zíper e coloco um cadeado

Evaporo-me, chovo-me, solidifico-me

E acordo nesse mundo frio

Até o próximo descompasso

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O guerrilheiro de direita

E no final sou...

O mais radical dos moderados

O mais racional dos loucos

O mais feliz dos azarados

O mais idiota dos sábios

O mais apático dos engajados

O mais constante dos voláteis

O mais revoltado dos conformados

O mais realista dos nefelibatas

O mais certo entre os errados

E no final sou...

Igualmente diferente como todos

Certamente inteligente como os tolos

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

AINDA!

comment: Sim senhoras e senhores! Para a alegria de muitos (ou tristeza de todos), eu estou vivo sim!
E ano novo é motivo de post novo! \o/ Feliz 2010 aliás!
Porém, entretanto, todavia, contudo...o que vou postar agora é algo que já faz pelo menos 1 ano que venho fazendo. É uma música que comecei a escrever já faz muito³²²³ tempo mas só terminei ontem (por encrível que possa parecer). Claro que escrevi e criei outras coisas nesse meio tempo, mas essa música ficou um tempinho na gaveta e achei que seria uma boa tirar o pó esse ano e compartilhar isso com você, caro leitor...(isso se estiver alguém lendo oO).
Falta acabar a melodia e criar o baixo certinho ainda, mas tá bom vai! =P O ritmo fica por conta da imaginação, já que não vou me por no YouTube cantando (você não gostaria de ouvir, juro!) ;D
Espero que gostem!

Lá vai:

Ainda -

Não sei ao certo o que fazer
Ainda gosto de você
Basta saber e continuar não é fácil
Mais difícil é ficar sem te ver
Mas nem tudo que é bom é o melhor
Se tudo mudou e não há como voltar

Ainda sinto o seu perfume em todo lugar
Ainda ouço a sua voz aonde quer que eu vá
Ainda... Ainda...

Não sei ao certo o que dizer
quando estou perto de você
Tentar viver sem me importar não é fácil
Mais difícil é ficar sem te ver
Mas se tudo acabou é melhor
Se tudo piorou e não há como mudar

Ainda sinto o seu perfume em todo lugar
Ainda ouço a sua voz aonde quer que eu vá
Ainda... Ainda...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A tatuagem do tempo

O tempo passa, mas deixa incólume o momento que ecoa na memória e se eterniza.
Existem segundos que duram para sempre. Segundos que se vão com a brisa do instante, mas se guardam na estante de nossas vidas.
E é um momento como esse que levarei comigo para sempre como uma tatuagem em meu peito, para que sempre que olhar para mim mesmo te veja refletida no espelho.
E se por sorte muito tempo minha vida somar e por azar a memória apagar o que se foi. É certo que a saudade lembrará o que ficou.
O futuro é incerto e distante demais para nos preocuparmos com o que virá, pois o presente é tudo que nos resta agora.
Quem sabe o acaso não traga para o que está por vir o que a saudade quer resgatar do passado e o presente quer reviver. Espero pelo agora daqui a pouco com a paciência de uma rocha e a determinação de um louco.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Teu olhar!

Este é o segundo post seguindo a mesma linha! Espero que curtam!



Teu olhar é minha paz por perto
Doce alegria em que me vejo
Refletido no aconchego certo
Deste descanso verde que almejo

Conversa que dispensa a voz
É o simples ato de admirar
Quando vemos que somos nós
Cativos do nosso olhar

É espelho em que te encontro
Tradutor da tua alma
Que me apresenta o seu ser

Garanto-te que não há outro
Que me traga tanta calma
E que me trague em teu querer

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tua boca!

Olha só! =O
Sim, fazia muito tempo que não escrevia coisas um pouco mais trabalhosas nesse blog!
Então resolvi por a mão na massa, e fiz um soneto e um desenho para ilustrar esse soneto. ^^
E não bastando esse soneto e esse desenho, fiz outro soneto com outro desenho seguindo a mesma linha, mas que postarei depois.
Espero que gostem. =P
Vlw!

Tua boca é labirinto onde adoro me perder
Esconderijo onde guardo meu amor
Fonte que sacia meu prazer
Fogo que me afoga no ardor

Não afasta o teu tempo do meu peito
Esquece as horas e deita no momento
Aproveite os encantos deste leito
Que apaga da memória o sofrimento

Se por hora meu amor se achar perdido
Esquecido na loucura do pensamento
Procure-o nas palavras aos vestígios

Nas brincadeiras e conversas sem sentido
Aquecido nos segundos de contentamento
Que tua boca me entrega com delírios

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pena de Pégasus

Segundo post do dia! =O ohhhhh!
Isso que só tinha postado uma vez esse ano! Oo
Até mudei o layout! ^~
E como tenho percebido meus posts estão cada vez mais pessoais (e daí?). Não sei se é essa modinha de blog/diário ou eu que não tenho mais paciência pra escrever textos reflexivos e profundos (ou os dois).
Mas, contudo, entretanto, todavia eu vou explicar o porquê do nome deste blog.
Já que nunca expliquei antes, acho que é um bom momento pra isso.

Pra entender o que levou minha mente doentia a dar este nome ao blog, é preciso saber um pouco de mitologia grega. Lá vai:
Medusa, a mulher que tem aquelas cobras ao invés de cabelo e transforma quem olhar pra ela em pedra, antes de ser transformada em monstro por Afrodite era uma mulher de extrema beleza, e teve dois filhos com Poseidon. Estes dois filhos de Medusa só nasceram na hora da sua morte quando um herói grego chamado Perseu que era filho de Zeus (assim como Hercules e Kratos XP) a decapitou a pedido de um rei. Os filhos de Medusa que nasceram foram Crisaor e Pégasus.
Pégasus, o cavalo alado, que foi transformado por Zeus em constelação como recompensa por ter matado Belerofonte; é considerado inspiração aos poetas, pois, segundo a lenda com uma patada de Pégasus em uma pedra nasceu o rio Pirene, do qual quem bebesse de suas águas virava poeta.
E como eu gosto muito de mitologia grega, e astronomia ( Pégasus também é uma constelação) e gosto de escrever, e antigamente se escrevia com penas e estava precisando tomar da água desse rio e blá blá blá whiska sache blá blá blá , eu coloquei esse nome no blog! \o/
FIM!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O "x" da questão

comentário: Caramba!!! só agora eu vi que esta será a 1° postagem do ano. =O E meu, muitas coisas aconteceram desde a ultima vez que postei. Coisas como por exemplo o ronaldo no corinthians (bela jogada de marketing), olimpiadas, morte do "deputado" Clodovil e outras coisas menos importantes (na visão da maioria da população) como a Crise, o vírus H1N1, cpi na Petrobras, teste nuclear na Coreia do norte e por ai vai.
Mudando de assunto...o texto que vou postar é o texto que está no meu perfil do orkut. Eu ia postar outro mas está tarde e eu tenho que acordar cedo; então utilizei um método usando ctrl-C e ctrl-V pra agilizar o processo (também chamado de preguiça). XD
O texto é uma "brincadeira" com alguns termos matemáticos. Se chegar ao fim sem babar no teclado por favor comente! Sua opinião é importante! Espero que gostem. =P
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O "X" da questão

Vejo a multidão e penso se sou apenas +1.
As vezes sou simples, outras complexo, muitas vezes negativo. Por sorte ainda inteiro mesmo com tantos fatores a me dividir.
Vivo me perguntando qual a razão. Pareço viver em uma parabola, mas percebo que é tudo real.
Apesar de paralelos e de vez em quando concorrentes, pertencemos a mesma origem. Todos no intimo buscam somar à multidão, pois somos complementares e no minimo multiplos comuns do mesmo plano chamado vida.
Podemos não possuir os mesmos valores, não ter a mesma forma, estarmos em direções opostas e sem sentido aparente, mas somos todos iguais.
Que daqui pra frente o resultado seja diferente. Ninguem é resto! Há sinais em todas as partes! Ninguem é mais do que ninguem! Que o grupo dos solitários seja um conjunto vazio! Que a alegria seja > que a tristeza !
Afinal de contas, não existe uma fórmula para a felicidade.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Conto de fadas

Comentário: Sim, já faz muito tempo que não posto no blog.
Apesar de parecer o oposto, eu continuo escrevendo. Apenas não postava o que escrevia. Novamente, pode não parecer, mas estou num processo de amadurecimento (conta outra^^..huahuahuahu), pois, estou testando e praticando novos meios de escrever e transmitir minhas idéias que por acaso também são novas.
Bom, como estamos em época de eleição, nada melhor do que abordar o assunto, e para tal desenterrei (quase literalmente) uma música que escrevi por volta de dois anos atrás (acho) e que de certa forma se mantém atual apesar de ter sido escrita na época das CPIs e que trata um pouco sobre eleições tb^^....
O nome da musica é meio gay ¬¬...eu sei...(e não tem nada a ver com a musica do Shaman¬¬) mas faz sentido se pensar no contexto...se tiver uma idéia melhor manda ai..huahuahua.
Ahhh...por favor, comentem suas criticas, sugestões e/ou opiniões fazenfavor..huahuahu
Obrigado^^
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Conto de fadas

Votos que valem ouro
Comprados com palavras sem valor
“Foras da lei” que brincam de fazer leis
Demagogia movida só pela ganância
Hipocrisia regada pela ignorância
De um povo sem mais esperança
Descrentes de qualquer mudança

Pra que revelar os fatos,
se ninguém paga por seus atos?

Apunhalado
Sem nada que possa fazer
Sendo roubado
Enquanto assiste a TV
E nem lembramos qual é a cara do ladrão
E votamos nele na próxima eleição
Conto de fadas é a corrupção
Pois ninguém vai para prisão

Pra que revelar os fatos,
se ninguém paga por seus atos?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

"Tele-vida"

Em nosso sistema solar apenas um pequeno planeta possui vida. Qualquer alteração orbital deste planeta ou se qualquer corpo com massa um pouco mais significativa colidir com o planeta, a vida em pouco tempo pode ser destruída por completo. Isso nos faz perceber como a vida é frágil.
Se nosso planeta não estivesse posicionado onde está, nem tão perto e nem tão longe do Sol, não possuísse uma combinação de elementos químicos tal e uma temperatura favorável, a vida de certo não existiria. Isso nos faz perceber como a vida é rara.
A combinação de tantos elementos decisivos para que houvesse vida é racionalmente duvidoso se levarmos em conta que foi concebida pelo acaso ou de maneira randômica. Isso nos faz perceber que não existe como Deus não existir.
Vejo pessoas incendiando florestas, derrubando árvores e caçando animais por prazer. Vejo pessoas matando outras pessoas, se destruindo aos poucos e se matando. Vejo pessoas passando fome e sem esperança e também vejo pessoas que podem ajudar-las, mas preferem não encarar a realidade e se omitem.
Como podemos cuidar tão mal de algo tão frágil e raro que nos foi dado por Deus?
A vida não existe apenas para ser vivida, se fosse assim não precisaríamos sequer raciocinar. Mas se temos vida, temos uma razão de viver, e cada pessoa escolhe a sua e a prioriza em sua vida. Logo, se alguém passa sua vida tentando enriquecer, a razão de sua vida é o dinheiro. E se alguém passa a vida se drogando, a razão de seu viver são os entorpecentes. E se alguém passa a vida em frente à televisão, sua razão de viver é um pedaço de plástico e vidro.
Reclamamos muito do nosso país, da nossa cidade, da injustiça, violência e desigualdade. Mas o que vejo é um povo conformado, que não se levanta do sofá, e que não desliga a televisão, vivendo uma “tele-vida” medíocre e reclamando de tudo e todos.
É muito fácil reclamar e culpar os políticos, mas quero ver quem se candidata para fazer algo mais do que reclamar. Os políticos são apenas um reflexo da sociedade da qual se originam. Se os políticos são corruptos e hipócritas é por que a sociedade é corrompida e demagoga. Não adianta mudar o governo se o povo continua o mesmo.
A vida não foi feita para que cada um cuide da sua, mas para que todos nos cuidemos mutuamente. Afinal vivemos em sociedade e enquanto não pararmos de nos preocupar somente com nós mesmo e começarmos a nos preocupar com os outros, nossa sociedade continuará sem vida.
Se existe vida em sua vida, tente usa-la para algo além de benefício próprio. A vida passa tão velozmente levando a juventude consigo. No fim só restarão cinzas e todos voltarão ao pó. As pessoas que um dia conhecemos, também passarão, e nem mesmo nossa memória sobreviverá. E seremos nada na Terra, apenas alguém da qual não existe registro, nem saudade, nem citação. A única coisa que deixaremos será nosso legado, que será transmitido de geração á geração, e que será o único vestígio de que um dia existimos.
E qual será nosso legado? Destruir a natureza sem preocupação? Não valorizar nada e ninguém além de si mesmo? Perder a família para ganhar dinheiro? Não ver seu próprio filho crescer para poder fazer hora extra?
O nosso legado condiz com nossa razão de viver. Quais são as suas prioridades? Qual é a sua razão de viver?
Nosso país sempre continuará sendo aquele país emergente e medíocre de sempre se não mudarmos nossas prioridades. Não se pode inovar e crescer fazendo as mesmas coisas que nossos pais faziam ou pior. È preciso viver algo além de nosso sistema socioeconômico, pois, ter como meta estudar para entrar em uma boa faculdade, entrar em uma boa faculdade para conseguir um bom emprego, ter um bom emprego para poder ganhar bem e ganhar bem para poder comprar o que se quer não é nada mais que o mínimo necessário para fazer parte da sociedade capitalista. E depois de ter um bom emprego e ganhar bem, será que você estará feliz?
Somente quando encararmos a realidade de que somos todos iguais e que todos somos nada além de pó, matéria orgânica, poeira cósmica aglomerada que contem vida, é que passaremos a valorizar a vida que há em nós e em cada ser.
Morra sua “tele-vida” e desligue a televisão, talvez alguém precise de sua atenção mais do que este aparelho.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A gaiola

Se a paixão escolhesse alvo
Seria menos difícil
Mas ninguém dela está salvo
Nem de cima do edifício

Vivia livre e voava
Pela praça fazia ninho
Mas sabia que faltava
Alguma espécie de carinho

Cantava a mais linda canção
De mais triste melodia
Em seu peito solidão
Na janela alegria

Queria libertá-la
Penas rubras e bico fino
E dali levá-la
Sem rumo e sem destino

Ela nem o conhecia
Nem ao menos imaginava
Que além da sala vazia
Alguém lá fora a esperava

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Já é tarde

Já é tarde...

Quero voltar a dormir
Deixar o que passou pra trás
Passar o dia a sorrir
E viver sempre em paz

Já é tarde...

E quando acordar
Saber que pensa em mim
E que tudo que passou
Foi um sonho ruim

E o seu abraço
Laço que quero me prender
Pra não sair do seu lado
Pra nunca mais te perder

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O copo com água

Ele estava meio tonto, tinha acabado de acordar, andava pesadamente procurando em que se apoiar até chegar à cozinha.
Sim, ela ainda estava em sua mente, lembrança do sonho recente. Com um copo com água tentava afogar a saudades e quem sabe submergir a ponte que os separava. Bebia vagarosamente. O silêncio era quebrado pelo ensurdecedor barulho do relógio na parede de azulejos brancos lisos.
O copo não esvaziava, os ponteiros do relógio avançavam rapidamente, cada gole era como um mar de pensamentos. Questionava a razão entre poder e querer, entre sair correndo no meio da noite usando roupas de dormir simplesmente para vê-la ou apenas acabar o copo com água.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Talvez

Quando não se sabe mais o que é real e o que não é. Quando tudo o que você soube que existiu pode ter sido apenas imaginação. Quando tudo que se sente pode ser uma farsa para todos menos para si.
Antonio se deparava com talvez a única pergunta na qual não soubesse responder. Possuidor de conceitos e crenças aptas a responder a maioria das questões existenciais, sofria por não achar razão na dor que sentia.
Afinal, por que não nos apaixonamos por quem se apaixona por nós? Por que sempre tendemos a nos apaixonar por quem nem se importa conosco?
-E agora? Qual o próximo passo?- Indagava em sussurros inaudíveis.
Por mais que pensasse não conseguia chegar a lugar algum. Estava dividido, parte queria desistir de tudo, parte achava que valeria a pena o esforço, pois, se há razão no destino deve haver um motivo para amá-la.
Pensou em tentar esquece-la, mas ao lembrar de seu rosto, dos momentos que passaram juntos, do jeito de como ela arrumava o cabelo, das suas idéias, das risadas, das reflexões, parecia que um aperto no coração fazia o amor voltar mais forte. E quanto mais forte o amor voltava, mais se intensificava a dor da falta de reciprocidade.
E quando o cálice do pranto transborda, basta apenas cicatrizar-se em lágrimas, e esperar, talvez o choro dure apenas uma noite.
Imaginou-se viajando, largando tudo para traz, quem sabe começar do zero. Essa era sua vontade, sumir do mapa por um tempo, conhecer novas pessoas, novos ares, pensamentos e costumes. Mas como partir e deixar metade de si? Pois Antonio era metade ela. Metade de seu pensamento era ela, metade do que fazia tinha de alguma maneira a ver com ela.
Achava-se tolo por acreditar em algo que talvez nunca venha a acontecer, por manter esperança talvez vã, e por sempre estar cercado do “talvez”. Lembrou de tudo que deixou de fazer por ela, de todos aqueles velhos hábitos que abandonou por ela.
Sua única certeza era que preferia mil vezes ser odiado por sua amada do que viver pensando que talvez ela o ame. Melhor a certeza do desprezo do que a duvida da aceitação.
Enquanto enxugava o rosto molhado, a saudades do abraço pendurado, do olhar cruzado e das unhas cintilantes acrescentou-se ao cálice. Na verdade não importava muito o que ela sentia, se era recíproco ou não, estar com ela superava as dúvidas, simplesmente as ofuscava. Sabia que era melhor a dor de estar ao lado dela, do que a dor de não ouvir sequer sua voz. Voz que podia ao menos dizer que não. E assim a noite ia, talvez a alegria viesse no amanhecer.

O sorriso de Francisco

O frio que queima os ossos, o aroma fétido do bueiro, a fome que parece como traças consumindo o ventre de dentro para fora, os trapos que se decompõe na carne, a sujeira que encarde a dignidade. Ainda não é pior que a dor da indiferença.
Francisco imaginava a vida como uma fumaça que na brisa navegava em valsa. Questiona-se se alguém se recordaria dele, se sentiria sua falta, se lembraria seu nome, ou se ao menos acharia estranho aquele pedacinho da praça vazio.
Pessoas que vem e vão, fingem que não reparam. Um lindo cachorrinho que acabara de sair do petshop desfilando com sua roupinha nova, perfuma o ar, e com seu jeito infantil de filhote arranca um sorriso de Francisco.
Do outro lado da praça, uma senhora de cabelos grisalhos e blusa de seda vermelha e azul, alimentava os pombos com pequenos pedaços de pães que sobraram do café da manhã. O jeito como as pombas disputavam o alimento de alguma maneira arrancaram outro sorriso de Francisco. As migalhas misturavam-se com as folhas que caiam das copas. Admirava a poesia dançante das folhas que iam com o vento, e assim sorrindo, com as folhas foi levado pelo vento.